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  • 30/09/2019 s 15:42

Preço e Valor: Entenda a diferença

Enquanto as ações estão subindo, ninguém presta muita atenção para essa frase. Mas, basta uma chacoalhada de fora, seja ela China ou Argentina, para que os velhos conceitos de finanças “viralizem”.

De repente, começam a circular vídeos de um senhor de idade de Omaha falando: “Preço é o que você paga.  Valor é o que você leva. ” Alguém sabe exatamente o que isso quer dizer?

 

O que determina o valor?

 

Ativos

Nos setores mais tradicionais da economia, o que determina o valor de uma empresa é a soma dos ativos que ela possui. São imóveis, frotas, maquinário e tudo que esteja relacionado com o seu modelo de gestão.

O mesmo se aplica às empresas cujos maiores ativos são intangíveis, como uma marca forte ou uma tecnologia predominante, ou a um produto financeiro, como um fundo imobiliário, por exemplo.

Resumindo, valor é todo o patrimônio depois de descontadas as dívidas. No jargão do mercado financeiro, é o que chamamos de valor patrimonial.

 

Gestão

Em relação à gestão, algumas perguntas ajudam a entender a dinâmica de uma empresa:

  • Quais suas vantagens frente aos seus concorrentes?
  • Ela possui barreiras de entrada?
  • Quem são e como agem os seus sócios?

São esses, entre outros fatores, que identificam suas forças, fraquezas, as oportunidades e as ameaças, indicando suas chances de crescer de forma consistente no longo prazo.

 

Flexibilidade

Como as empresas se ajustam aos ciclos econômicos também é um indicador de valor, pois mostra maior adaptabilidade e, portanto, maiores chances de sobrevivência. O que isso quer dizer é que as empresas que fazem a lição de casa são as mais propícias a comprarem os seus concorrentes quando a crise vem.

 

O que determina o preço?

Dada a estrutura de uma empresa, sua forma de atuação e quão eficiente ela é, são os fatores alheios a ela que definem o preço de sua ação. Desconsiderando o seu setor de atuação, que possui características próprias, trata-se do ambiente macroeconômico e do seu efeito sobre a percepção dos agentes.

Em relação à economia em si, podemos citar especificamente dois componentes: a taxa de juros e o risco-país, medido pelo CDS (Credit Default Swap). Enquanto a primeira captura a economia real, o segundo mede a atratividade do Brasil em relação a outros países, determinando o seu percentual de alocação nos fundos de investimento globais.

 

Taxa de juros

A taxa de juros é definida pela política monetária, conduzida em função da atividade econômica e de outras variáveis como nível de câmbio e inflação, por exemplo.

Ela tem um impacto direto no valor das empresas por 2 motivos:

  • Uma taxa de juros mais alta desestimula a economia, desfavorecendo o mercado de ações;
  • Por refletir o custo do dinheiro, torna mais caro o serviço da dívida; ou seja, os juros dos financiamentos são maiores.

Risco-país

O CDS, por sua vez, nada mais é do que a diferença entre a taxa de risco de um país e a taxa de um papel do Tesouro norte-americano, referência para o ativo mais seguro do mundo. Dito de outra forma, quanto mais arriscado um país, menor a “qualidade” de seus ativos frente a outras opções no mundo.

Assim, quando o CDS sobe, seja por conta de eleições ou de uma “canetada” do governo, todas as empresas sofrem uma reavaliação de preço, não havendo, em um primeiro momento, qualquer distinção entre uma líder de mercado e uma outra à beira da falência.

O motivo é muito simples: como a líder de mercado possui grande liquidez, ela é a primeira a ser vendida, visto que, nesses casos, não há comprador para a outra, a problemática.

Diante dos motivos que explicam a diferença entre preço e valor, fica claro que investir é, mais do que qualquer coisa, exercitar o bom senso porque quem ganha é quem evita os grandes erros.

Experimentar é uma boa forma de começar:  até 10% da carteira, para não tirar o sono de ninguém, ajudam a entender a dinâmica de fatores alheios às empresas, como taxas de juros e CDS, nos preços das ações.

Agindo dessa forma, qualquer um supera uma das maiores limitações do ser humano:  o “efeito manada”.

Fonte

0800 008 6531 | D`Ourobras Investimentos